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Desemprego cai ao menor nível em 7 anos; 9,7 milhões ainda buscam trabalho

 Por: Fernanda Strickland - Correio Braziliense

 (Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press
A taxa de desocupação, que mede o desemprego no país, segue caindo e chegou a 8,9% no trimestre encerrado em agosto, uma queda de 0,9 ponto percentual na comparação com os três meses anteriores. É o menor patamar desde o trimestre encerrado em julho de 2015 (8,7%). No entanto, o número de pessoas em busca de trabalho ainda é elevado — 9,7 milhões de pessoas, e a queda ocorre num cenário de informalidade elevada.

O contingente de pessoas ocupadas alcançou 99 milhões, batendo novamente o recorde na série histórica, iniciada em 2012. E, pelo segundo trimestre consecutivo, o rendimento real habitual cresceu, chegando a R$ 2.713,00. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O nível de ocupação, ou seja, o percentual de pessoas empregadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 57,1%, um crescimento em comparação com o trimestre anterior (de 56,4%) e acima do mesmo período do ano passado (de 53,4%). "O mercado de trabalho segue em tendência de recuperação", avaliou Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad.

Três atividades principais influenciaram a queda do desemprego no trimestre encerrado em agosto. O ramo de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas aumentou o quadro de funcionários em 3% na comparação com o trimestre anterior, adicionando 566 mil pessoas ao mercado de trabalho. Já o segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais cresceu 2,9% (mais 488 mil pessoas) enquanto o grupo "outros serviços"' apresentou alta de 4,1% (211 mil pessoas).

Segundo o economista-chefe da Gladius Research, Benito Salomão, a queda no desemprego está relacionada com o processo de recuperação cíclica da economia. "O mercado de trabalho vem refletindo isso", disse. "Com o processo de crescimento econômico, há uma ampliação da oferta de trabalho e, com isso, ocorre inclusive uma pressão sobre salários, que tem redundado no aumento da renda do trabalhador."

O rendimento médio dos trabalhadores ocupados atingiu R$ 2.713 no trimestre, uma elevação real de 3,1% na comparação com o trimestre encerrado em maio. Em relação ao mesmo período do ano passado, no entanto, a renda ainda foi 0,6% menor. Segundo Adriana Beringuy, a melhora na renda está fundamentalmente associada à deflação registrada no país no período. O avanço teve colaboração também do aumento no número de pessoas trabalhando com carteira assinada, embora a renda média da categoria tenha ficado estável. Entre os ocupados, a categoria que impulsionou de fato o aumento foi a de empregadores, com um salto de 11,5% na renda média, R$ 689 a mais em apenas um trimestre.

Em termos absolutos, o número de trabalhadores desocupados no trimestre encerrado em agosto (9,7 milhões) foi o mais baixo desde novembro de 2015 — uma queda de 30,1% em relação ao mesmo período do ano passado, ou menos 4,2 milhões de pessoas.

 (Foto: pri-0110-desemprego
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Foto: pri-0110-desemprego

Informalidade
 
A pesquisa mostra, ainda, que a informalidade continua alta, já que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado, de 13,2 milhões, foi o maior da série histórica, iniciada em 2012. Houve crescimento de 2,8% no trimestre (mais 355 mil pessoas) e de 16% (1,8 milhão de pessoas) no ano. Por outro lado, o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (excluindo trabalhadores domésticos) aumentou 1,1% e chegou a 36 milhões.

Já a quantidade de trabalhadores por conta própria foi de 25,9 milhões, mantendo a estabilidade na comparação com o trimestre anterior, enquanto o número de empregados no setor público cresceu 4,1% e chegou a 12,1 milhões. A Pnad registrou também 4,3 milhões de desalentados, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego.

O economista do Banco Original, Marco Caruso explicou que apesar de mais uma alta no número absoluto de empregados sem carteira assinada, foi possível notar uma melhora no quadro geral de empregos. "A informalidade recuou mais uma vez, de 39,8% para 39,7%. Isso se deve à diminuição tanto do número de trabalhadores autônomos — também conhecidos na pesquisa como 'conta-própria' — sem CNPJ, quanto de trabalhadores familiares auxiliares, cuja atividade está relacionada aos negócios de um parente próximo", disse.

95 mil vagas no comércio
 
A demanda das festas de fim de ano deve aquecer o mercado de trabalho nos próximos meses, mas em um ritmo mais lento do que o verificado na mesma época do ano passado. De acordo com levantamento realizado em todas as regiões do país pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, aproximadamente 95 mil vagas serão abertas no país até dezembro. O número representa uma redução de 11 mil vagas em relação ao registrado no final de 2021.

Segundo a coordenadora financeira e administrativa da CNDL, Merula Borges, a queda na expectativa de contratações representa um pouco da desconfiança do empresário no cenário macroeconômico. "Juros altos, inflação elevada e o cenário eleitoral trazem muitas incertezas. Aqueles que não vão contratar tem como motivo, especialmente, a questão de não ver demanda suficiente para empregar novos funcionários", disse.

De acordo com o levantamento, os principais motivos apontados pelos empresários que não irão contratar mão de obra são: descrença em um aumento significativo de demanda que justifique contratações, falta de verba suficiente e encargos trabalhistas muito altos. Já entre os que pretendem contratar funcionários, 77% afirmam querer suprir a demanda que normalmente aumenta nesse período.

Considerando os empresários que pretendem empregar novos funcionários para o fim do ano, a pesquisa mostra que pouco mais da metade (55%) pretende contratar mão de obra temporária e 32%, por tempo indeterminado. Entre as empresas que farão contratações temporárias, 78% devem oferecer vínculos com duração de até três meses. A média de trabalhadores contratados temporariamente será de 1,5 por empresa.

Quase metade dos entrevistados afirmaram que farão contratações informais e outros 48%, com registro em carteira. Apenas 14% devem contratar terceirizados. Para quem está em busca de emprego, o presidente da CNDL, José César da Costa, ressaltou que as vagas temporárias podem ser uma porta de entrada para se fixar no mercado de trabalho.

"As contratações de fim de ano representam uma oportunidade aos desempregados. Sabemos que existe sempre a chance de as vagas temporárias se efetivarem após o período de festas, principalmente para os profissionais que mais se destacam no trabalho", afirmou Costa.

Salário
 
A expectativa média de salário é de R$ 1.648, com uma jornada de trabalho entre seis e oito horas diárias. A maioria dos empresários pretende iniciar as contratações em outubro. Entre as funções mais demandadas estão as de vendedor, ajudante, balconista, cabeleireiro, manicure e entregador.

No que tange ao perfil dos funcionários que devem ser admitidos, as mulheres são preferidas (25%) em relação aos homens (17%), embora a maioria (55%) afirme não se importar com o sexo dos colaboradores. Mais da metade das empresas (61%) prefere jovens de 18 a 34 anos — sendo a faixa etária média de 28 anos.

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