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CONTAS Renda baixa deve manter inadimplência elevada nos próximos meses



Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) indica que o número de inadimplentes no Brasil cresceu 8,70% no último ano. Dados coletados em julho mostram que, aproximadamente, quatro a cada 10 brasileiros (39,17%) maiores de 18 anos estavam negativados no mês passado. Esse é o pior resultado da série histórica, que iniciou em 2015.


A coordenadora financeira e administrativa da CNDL, Merula Borges, disse ao Correio que a perspectiva da confederação é que a inadimplência continue alta. Mesmo com a injeção de dinheiro do governo federal na economia, com o Auxílio Brasil e outros benefícios sociais, a renda média do brasileiro ainda continua baixa. Somado a isso, os efeitos da elevação da Taxa Selic ainda devem impactar na economia do país.


“Apesar de ter alguns índices que melhoraram, ainda há outros fatores que estão pesando no bolso do brasileiro e essa dificuldade de fechar as contas vai acabar dando uma perspectiva de aumento ainda neste número de inadimplentes”, aponta a coordenadora.


A maior parte dos inadimplentes se encontra entre a faixa etária de 30 a 39 anos (24,03%), com 15,72 milhões de brasileiros no total. A pesquisa também indica que o crescimento dos negativados foi maior entre aqueles que estão entre 91 dias a 1 ano na situação, com 36,19% de aumento.


Educação financeira

Merula destaca que ainda há um percentual muito grande de pessoas reincidentes na inadimplência e que, para resolver o problema, não basta que a economia esteja em ordem, mas ela afirma que é necessário investir na educação financeira dos brasileiros.


"Não é só uma questão de crise econômica. A gente vê que quase 84% dos consumidores são recorrentes. Não é a primeira vez que eles estão negativados. Então, mais do que uma questão pontual, uma questão de uma emergência, de uma crise, tem uma questão também de educação financeira, que acaba puxando”, afirma.
Por: Raphael Pati - Correio Braziliense

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