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CINEMA Longa pernambucano 'Seguindo Todos os Protocolos' mergulha nas angústias sexuais e afetivas da pandemia



Fábio Leal dirige e protagoniza seu primeiro longa ficcional (Divulgação)



Seguindo Todos os Protocolos, primeiro longa-ficcional dirigido pelo pernambucano Fábio Leal, reuniria um público numa sala de cinema para assisti-lo pela primeira vez no Festival de Tiradentes, no começo do ano. Seria uma experiência curiosa, no meio de um ensaio de uma retomada cultural, assistir a um filme sobre as angústias que a falta de proximidade entre corpos durante a pandemia gerou em uma sala de cinema cheia.


Poucos dias antes de sua realização, um novo avanço da doença transformou o formato do festival em remoto e a experiência do público se aproximava mais uma vez do mal-estar retratado pelo longa, assistindo-o em suas casas, sem a experiência coletiva do riso e das outras reações que o provocadas pelo projeto.


Agora, após passagens por alguns outros festivais e uma retomada mais sólida das atividades culturais, apesar dos pesares, o longa faz sua estreia nas salas de cinema de todo o país nesta quinta-feira, reencontrando ainda mais a experiência coletiva a partir de uma obra tão imersa na solidão.

Tudo é conduzido por Chico, vivido pelo próprio Fábio, que vive sozinho em seu apartamento nos dias mais áridos do isolamento social e, pouco após acabar um relacionamento, vê o conflito entre sua insegurança sanitária e seu desejo sexual se agudizar, buscando formas de dar vazão ao tesão “seguindo todos os protocolos”.


É uma busca que é carregada de um humor muito particular a partir de um mal-estar muito específico deste momento da história humana, abraçando as angústias, mas também com capacidade dramática de trazer leveza, em uma espécie de continuação de seu último trabalho de direção na ficção, o curta Reforma, de onde traz de volta seus dois principais personagens.




“Eu não sei se é exatamente escapista, mas eu gosto de uma vertente do humor que fala verdades que de outra forma soariam muito agressivas. Eu tenho uma insistência de trabalhar com o humor de uma forma responsável, mas que isso não significasse abdicar de falar de nossos dramas e nossas tragédias, principalmente nesse momento tão absurdo. Não me interessava falar sobre algo macro, a pandemia, a sociedade na pandemia ou a falta de humanidade na pandemia. Me interessava esse casamento entre algo muito árido e um olhar menos árido, mais bem humorado não para a pandemia, mas para nosso comportamento dentro dela”, explica Fábio, em entrevista ao Viver.


Leal partiu de experiências pessoais, relatos de pessoas próximas e da própria ficcionalização para construir esse mosaico de uma experiência afetiva e sexual pandêmica, pautada por diversos graus de ausência do outro. Um guia da Prefeitura de Nova York sobre sexo na pandemia ou um relato de um amigo que começou a namorar durante o período foram gatilhos que ajudaram a construir um jogo dramático que transita entre apenas se afastar das pulsões de morte ao apenas sobreviver e se entregar às pulsões de vida e viver, a partir do contato com o outro, levando em consideração todos os riscos.


Uma ferramenta de fomento própria da pandemia, a Lei Aldir Blanc, é inclusive a possibilitadora da realização do filme, que contemplado com um orçamento de R$ 30 mil para curtas - que está longe dos maiores até para esse formato - se fez um longa. Havia muito desejo de se colocar o projeto pra frente, em especial ao se contar com uma equipe de amigos, todos, assim como o diretor, duramente atingidos profissionalmente pela pandemia e com uma grande sede de se voltar a trabalhar em projetos que acreditavam.


“Fiz um longa com um orçamento de curta, mas também não quero que isso soe como uma romantização da precariedade. Na verdade, era muito tesão de trabalhar acumulado, conseguimos fazer muito com pouca coisa, isso é muito benéfico. Ao mesmo tempo, é triste trabalhar com tão pouco, não é algo possível e sustentável a longo prazo. O filme foi feito por amigos porque não tive coragem de chamar alguém fora do círculo íntimo para trabalhar por tão pouco, apesar de que essa era a realidade de quase todas as pessoas do meio. Foi um set muito pequeno, tendo apenas 10 pessoas na cena mais elaborada. Acredito que as bases da próxima Aldir Blanc em Pernambuco precisam serem maiores”, explica Fábio.


Agora, é hora de se conferir o belíssimo resultado desse empenho ao lado de amigos e desconhecidos, em um ritual que ficou esquecido por quase dois anos e agora se torna possível. “Estamos em um período difícil para o cinema brasileiro e do cinema ‘menos comercial’, com os blockbusters fazendo números positivos nunca antes feitos e os filmes menores fazendo números negativos também nunca antes feitos. Eu queria muito que as pessoas fossem ver no cinema. As sessões presenciais foram muito pulsantes, as pessoas se reconhecendo e compartilhando isso com as outras pessoas da sala. Sessões muito quentes que eu gostaria que se repetissem nessa estreia comercial”, convida o diretor.
Por: Rostand Tiago

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