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Procuradoria arquiva pedido de investigação de Palocci.

BRASÍLIA  - A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu nesta segunda-feira não investigar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pelo aumento de seu patrimônio quando dirigia a consultoria Projeto.
O ministro, pressionado a explicar um salto de 20 vezes em seu patrimônio, enviou esclarecimentos à PGR, que avaliava se abriria ou não uma investigação após receber pedido de partidos da oposição. A Projeto faturou cerca de 20 milhões de reais apenas em 2010.
Segundo uma fonte do governo, a presidente Dilma Rousseff já foi informada da decisão do procurador Roberto Gurgel.
Em sua decisão, Gurgel explica que a partir da análise das reportagens publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo no mês passado e das informações prestadas por Palocci não é possível concluir que a renda do ministro tenha sido constituída a partir da prática de delitos.
Segundo o procurador-geral, também não há indícios de tráfico de influência nem que o ministro tenha usado do mandato de deputado federal (de 2006-2010) "para beneficiar eventuais clientes de sua empresa perante a administração pública".
O arquivamento do pedido de investigação pode dar novo ânimo a aliados do governo no Congresso, o que ajudaria a barrar sua convocação para prestar explicações na Comissão de Agricultura na Câmara dos Deputados.
Uma decisão sobre seu comparecimento à Câmara será anunciada na terça-feira pelo presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), que avalia recurso que pede o cancelamento da convocação do chefe da Casa Civil.
Desde o final de semana, aliados importantes demonstraram insatisfação com as explicações do ministro e com a demora da presidente Dilma Rousseff em decidir seu futuro no governo.
A Força Sindical, comandada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), divulgou nota, antes da decisão da PGR, dizendo que o "imediato afastamento do ministro só trará benefícios para o país".
O partido aliado PCdoB reuniu seu Comitê Central nesta segunda e pediu, por meio de uma nota, que a presidente Dilma Rousseff tome uma decisão rápida sobre o futuro do seu principal auxiliar.
"O anseio dos partidos que apoiam a presidente é que ela resolva essa questão. Ele é um ministro pivô do governo, é da cúpula", disse o presidente da legenda, Renato Rabelo, à Reuters.
Contudo, Rabelo evitou comentar qual a saída para Palocci. "É difícil a gente se meter. Certo é que precisa ser resolvido logo, isso tem consequências na autoridade da presidente, como diz a nossa nota", afirmou.
Para o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, as explicações, por meio das entrevistas concedidas pelo ministro na sexta-feira, demoraram.
"O Brasil é muito maior do que qualquer ministro", disse Campos no final de semana, segundo a sua assessoria. "A pauta deve ser outra, e o Brasil precisa seguir em frente."
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