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“Para ganhar ou perder, o candidato é João da Costa”, garante André Campos.

Entrevista: André Campos (PT) - Secretário de Turismo do Recife
Gilberto Prazeres e Ricardo Dantas Barreto

        PETISTA: críticas são à pessoa e não à administração
PETISTA: críticas são à pessoa e não à administração
Membro do conselho político do prefeito João da Costa (PT), o secretário André Campos (Turismo/PT) mostra que não perdeu a língua afiada ao comentar os assuntos da gestão e da sua legenda. O auxiliar rechaça as especulações que dão conta da existência de um plano B dos petistas para a disputa pela Prefeitura do Recife, no ano que vem, no caso da atual administração não engrenar, e garante: “Para ganhar ou para perder, nosso candidato é João da Costa.” Nesta entrevista, ele reconhece o prejuízo político gerado pela briga entre os Joões, ressaltando que uma possível ausência do deputado João Paulo no palanque de João da Costa não será positiva.
O senhor entrou na gestão para tocar o Turismo municipal, mas também para reforçar o time político do prefeito João da Costa. Nestes três me­ses, houve modificações no caráter político da gestão?
Digo sempre o seguinte: às vezes, as pessoas querem só carinho e atenção. E eu acho que isso, se não vinha sendo dado, está sendo dado agora. A gente tem procurado conversar com os vereadores, tanto que se fala muito que fulano de tal falou isso. Osmar Ricardo (PT) deu essa declaração. Isso são coisas isoladas. Os projetos da Prefeitura que têm chegado à Câmara são aprovados com ampla maioria, sem muita dificuldade.
Apesar de alguns pedidos de vistas...
Pedido de vistas é uma coisa normal. É um instrumento que pode ser utilizado pela oposição, que é minoria. Permite que as vereadoras Priscila Krause (DEM) e Aline Mariano (PSDB), que são competentes, cumpram o seu papel de oposição. Os projetos do Executivo são aprovados sem problemas.
Há recomendação do Executivo para que a sua bancada vete todas as proposições de oposicionistas na Câmara?
Do Poder Executivo não há essa recomendação. Pode ter alguma articulação interna da bancada, já que muitas vezes a oposição exagera. É uma questão da Câmara. Se eu fosse vereador, talvez estivesse usando essa arma (risos).
No veto às proposições da vereadora tucana, o líder do Governo, Josenildo Sinésio (PT), soliticou votação nominal. Ou seja, aberta. É o momento de expor quem está ou não de acordo com a orientação da bancada?
Eu acho que sempre é hora de se estar mostrando quem é que está jogando com o Governo. Quem apoia a gestão, quem tem participação tem que ter compromisso com a gestão. Então, tem que botar a cara nos momentos bons e nos momentos ruins. Hoje, nós vivemos um momento ruim por conta de praticamente 60 dias de chuvas. Se tem crítica por conta de buracos, trânsito... O que é natural em períodos de chuvas. Quem é Governo tem que ter o ônus e o bônus. Participação, mas também a obri­gação de defender. Sempre foi assim em qualquer Governo.

O senhor participa do conselho político do prefeito João da Costa? Como esse grupo funciona?
As reuniões são todas as segundas-feiras, no gabinete do prefeito, e é para discutir a realidade da cidade, relacionamento com a Câmara Municipal, questões da sociedade. Nesse momento de chuvas, as discussões do conselho político se voltaram muito para a cidade nesse ponto. A cada meia hora o prefeito fica olhando pela janela para ver se está chovendo. E eu lembro que quando era vereador do Recife, e fui por dez anos, sempre dizia que todo prefeito sofre com as chuvas. Agora, até hoje, com todos os problemas e todas as dificuldades, não morreu uma só pessoa na cidade do Recife. Em outras gestões que nós tivemos, não porque os outros prefeitos queriam, mas alguns óbitos ocorreram. Mas nessa gestão, e na de João Paulo, não houve morte. É sinal de que a gestão está voltada para a população mais pobre.
O conselho tem feito o prefeito mudar de opinião?
O prefeito é flexível. Ele ouve. Nem sempre muda, mas, muitas vezes, eu o vi mudar de posição. Ele tem sua opinião, mas respeita muito a opinião do conselho. É uma posição que ele tem tomado.
Que análise faz sobre o apoio antecipado do governador Eduardo Campos (PSB) à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, mas evitando fazer o mesmo em relação ao prefeito João da Costa (PT), ano que vem?
O governador Eduardo Campos é um dos maiores craques que apareceram na política de Pernambuco nos últimos tempos. Eduardo consegue ser, ao mesmo tempo, um governador desenvolvimentista - está aí o crescimento do Estado, claro, com ajuda do ex-presidente Lula. Tudo o que a gente sonhou para Pernambuco veio no Governo Eduardo Campos. Começou a acontecer! Refinaria, fábrica da Fiat, siderúrgica... E, além de desenvolvimentista, é um grande articulador político. Eduardo tem hoje, na Assembleia, mais de 40 deputados na sua base de apoio.  E ele, quando declara apoio, de forma antecipada, a Dilma, está mostrando de que lado está. E, mesmo determinados segmentos tentando jogar numa separação entre PSB e PT, isso não vai acontecer. Até 2014, pode ter certeza! Se houver divórcio, será pós 2014. Nós vamos estar juntos na questão municipal do Recife, de 2012, e em 2014.
O senhor afirma que o governador, ao declarar apoio antecipado a Dilma, mostra de que lado ele está. Quando Eduardo não declara esse apoio ao prefeito, ele mostra de que lado não está?
Ele já deu declarações de que está do lado do prefeito João da Costa. Ele está do lado do PT, e o candidato do PT será João da Costa. O PT não trabalha plano B. Muitas vezes, na imprensa, muita gente fica alimentando essa história de plano B. A gente tem tido, inclusive, constantes reuniões do nosso grupo de parlamentares com o senador Humberto Costa. E, em nenhum momento, se tratou de plano B. Praticamente, a gente tem se encontrado a cada 15 dias, aos domingos, e não se fala em plano B. O único projeto que nós temos, a grande maioria do PT tem hoje, é a reeleição do prefeito João da Costa.
Para ganhar ou para per­der?
Para ganhar ou perder, o candidato é João da Costa. Mas tenham a certeza de que nós vamos ganhar. Porque tem o seguinte: não tem muita crítica a se fazer à gestão. Se for analisar friamente, sem paixões, a gestão de João da Costa é boa. Muita gente discorda do jeito dele.
Então, as críticas se dirigem à pessoa?
É! Muita gente quer atingir a pessoa, porque ele tem um jeito mais introspectivo. Mas não tenho dúvidas de que João da Costa é um grande gestor. Talvez um dos melhores que já passaram pela Prefeitura.
Já que há tanta convicção no PT de que João da Costa será o candidato, por que se coloca, nos bastidores, que o prefeito tem prazo - setembro - para mostrar serviço? Há pesquisas sendo realizadas neste momento?
Acho que a gestão deve ter pesquisa. Eu não vi. É um instrumento científico que todo mundo trabalha. Mas não tenho nenhuma dúvida que qualquer reação hoje a João da Costa também se tinha a João Paulo, há um tempo atrás. E João Paulo foi reeleito no primeiro turno. Eu tenho certeza que nós vamos para a reeleição de João da Costa com amplas condições de ganhar. Até porque a oposição está completamente esfacelada. O PMDB não se entende com o PSDB. O PSDB não se entende com DEM. O DEM não se entende com o PPS. E por aí vai.
Quando chegou à gestão do Recife, o senhor afirmou que não estava chegando para, depois, ser candidato à Prefeitura de Jaboatão. E disse que só seria candidato se tivesse apoio do governador Edu­ardo Campos.
Eu nunca disse “não serei candidato em Jaboatão”. Hoje, eu me preocupo com a gestão do Recife. Meu foco está todo voltado para o Recife. Se eu tiver apoio do PT e Eduardo Campos, eu sou candidato à Prefeitura de Jaboatão. Mas, hoje, o meu foco é a gestão do Recife.
A gestão do prefeito Elias Gomes merece o apoio todo que vem recebendo, em termos de partidos alinhados?
Não! A gestão de Elias Gomes não existe. Quem é morador de Jaboatão sabe que não existe nenhuma obra. Elias prometeu calçar mil ruas e não fez 50. Prometeu resolver o problema do avanço do mar e, até agora, não resolveu. Prometeu resolver a questão do trânsito, que está caótico lá, e também não resolveu. Aí, eu volto a dizer que tem coisas que não é culpa só dele. Eu sempre defendi em Jaboatão uma ampla unidade, sempre dizia isso na campanha. Era importante que a gente tivesse um prefeito com vinculação com o Governo do Estado, com o Governo Federal para se ter mais força política, e, assim, buscar mais recursos para o município. Jaboatão, se eu não me engano, inaugurou uma maternidade agora com 20 leitos. É brincadeira! Setecentos e tantos mil habitantes e uma maternidade de 20 leitos.
E por que ele tem tanto apoio lá?
Em Olinda, o nosso companheiro Renildo Calheiros (PCdoB), por exemplo, tem o apoio de todo mundo na Câmara de Vereadores.
E a gestão de Renildo não é boa?
Não estou dizendo isso. Estou dizendo que hoje existe um super poder do Executivo. Em qualquer nível. Se você pegar no Governo Federal, a ampla maioria está apoiando Dilma. Nos governos municipais, nos governos estaduais... Porque o Poder Legislativo se tornou um poder dependente do Executivo.
A vereadora Marília Arraes (PSB) voltou, na semana passada, a defender uma discussão interna no seu partido com vistas à construção de uma candidatura socialista à PCR. Ela é uma voz isolada no PSB?
Eu vi a vereadora defendendo que o PSB tem que ter candidato à Prefeitura do Recife. Ela alega que o PSB pode ter candidato. E se que deve discutir. É uma posição dela. Eu tive uma conversa com ela hoje (quinta-feira) e vou ter uma conversa segunda-feira. É uma opinião dela, só que eu acho que é uma opinião equivocada. Marília é uma vereadora brilhante. Ela é da escola de Miguel Arraes.
Com relação às dificuldades que a gestão do município enfrenta, podemos considerar que a briga com João Paulo é o maior dos problemas?
João Paulo é a maior liderança popular, no Recife, ainda dentro do PT.
Mas a briga com João da Costa é um problema?
É um problema. Acho que o maior problema é o enfrentamento às dificuldades da gestão. Hoje, o maior problema da gestão é a questão das chuvas. E existe a previsão que isso vá até julho. O nosso inverno não começou ainda. Mas um grande problema político é a questão de João Paulo.
E como se resolve isso?
Acho que se resolve internamente. O PT, como sempre decidiu com sua maioria, vai escolher o candidato e acho que todo mundo vai acompanhar, de um jeito ou de outro.
Pode ter bate-chapa?
Pode ser. Mas eu não acredito.

A oposição pretende colocar nas ruas a campanha “João é João, lembra?” Uma tentativa de colocar em destaque os problemas da cidade e ligá-los à briga entre João da Costa e João Paulo. Vocês, da PCR, como trabalharão para enfrentar isso?
Eu acho que a campanha está perfeita. Até porque eu também acho que João é João, acho que João da Costa honra os compromissos assumidos, durante a eleição, em relação à gestão de João Paulo. Acho que, em termos de gestão, o Governo João da Costa é a continuação do governo de João Paulo. A questão de problemas pessoais entre os dois é para eles resolverem. A questão de projeto é do PT, que é bem diferente do projeto da oposição.
Mas acredita que João Paulo vai subir no palanque de João da Costa?
A não presença de João Paulo em qualquer palanque é um prejuízo. João Paulo, sem dúvida nenhuma, é o maior líder popular do Recife. Liderança popular! Se ele não estiver no nosso palanque, será um prejuízo. Mas conheci João Paulo, antes de tudo, como um político disciplinado, que sabe respeitar as decisões da maioria e as decisões partidárias. E, depois que o PT, em sua convenção, escolher João da Costa como seu candidato, João Paulo irá apoiar. Ele tem a cara do PT. Vai ficar e respeitar, como sempre fez, a decisão do partido.
Como o conselho político vê o comportamento do vereador e líder da bancada petista na Câmara, Osmar Ricardo, capitaneando a greve dos servidores?
Acho que a gente tem que respeitar as pessoas e entender os momentos e as dificuldades que enfrentam. Osmar tem uma base muito forte entre os funcionários públicos municipais, e tem uma eleição para a presidência do sindicato bem próxima. Então, ele está dando uma satisfação a esse eleitorado dele. Muitas vezes exagerando. Mas vamos respeitar os exageros de Osmar, porque, depois da eleição, ele vai se acalmar.
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