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Fungo resistente e perigoso já chegou a Portugal e acende alerta na saúde

Microrganismo se espalha principalmente em ambientes hospitalares, é difícil de diagnosticar e pode causar infecções graves em pacientes vulneráveis. Estudo português identificou oito casos e reforça a necessidade de vigilância reforçada nos serviços de saúde.


© Shutterstock
por Notícias ao Minuto

Candida auris

Um fungo resistente, de difícil diagnóstico e com potencial letal passou a preocupar autoridades de saúde em toda a Europa após o verão de 2025. Trata-se do Candida auris, também conhecido como Candidozyma auris, um microrganismo que se espalha principalmente em ambientes hospitalares e que já foi identificado em Portugal.

O alerta ganhou força depois que uma equipe de pesquisadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto analisou os primeiros casos confirmados no país. Embora dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças apontassem quatro registros até setembro, o estudo identificou oito casos analisados em território português. A pesquisa foi publicada em outubro de 2025 na revista científica Journal of Fungi.

Segundo a professora Sofia Costa de Oliveira, docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o principal risco do fungo está ligado ao ambiente hospitalar. Ela explica que o Candida auris não se propaga na comunidade de forma ampla, mas encontra condições ideais de transmissão em unidades de saúde, especialmente por sua resistência a alguns antifúngicos e pela facilidade de disseminação entre pacientes internados. Por isso, o microrganismo exige vigilância constante dos serviços de saúde.

Identificado pela primeira vez no Japão, em 2009, o Candida auris se espalhou rapidamente e já foi detectado em mais de 40 países, alcançando quase todos os continentes. No Reino Unido, por exemplo, o número de casos aumentou de forma expressiva nos últimos anos. Entre novembro de 2024 e abril de 2025, foram registrados 134 casos, um crescimento de 23% em relação aos seis meses anteriores, segundo dados divulgados pela imprensa britânica.

Especialistas explicam que o fungo pode causar desde quadros leves até infecções graves e potencialmente fatais. O maior perigo ocorre quando o Candida auris atinge a corrente sanguínea ou órgãos vitais. Estudos internacionais indicam que, entre pacientes com infecção grave, a taxa de mortalidade pode variar de 30% a 60%. No entanto, a maioria das mortes ocorre em pessoas que já apresentam comorbidades importantes ou sistema imunológico comprometido.

Os dados portugueses seguem a mesma tendência. No estudo conduzido pela Universidade do Porto, os pesquisadores observaram que nenhuma das mortes registradas esteve diretamente associada apenas ao fungo, mas sim ao quadro clínico grave pré-existente dos pacientes.

O diagnóstico do Candida auris representa outro desafio. A identificação costuma ser feita por meio de exames de sangue ou de outros fluidos corporais, mas o fungo pode ser confundido com outras espécies da família Candida quando se utilizam métodos laboratoriais convencionais. Essa dificuldade pode atrasar o tratamento e favorecer a disseminação em hospitais.

Entre os principais fatores de risco estão internações prolongadas, cirurgias recentes, uso de dispositivos invasivos, como cateteres, e baixa imunidade. Pessoas saudáveis raramente desenvolvem formas graves da infecção.

A transmissão ocorre principalmente por contato com superfícies contaminadas, equipamentos médicos ou contato direto entre pessoas, mesmo quando não apresentam sintomas. O fungo é particularmente preocupante por conseguir sobreviver por longos períodos em superfícies hospitalares, resistindo inclusive a alguns desinfetantes comuns.

Para conter a propagação, as recomendações incluem medidas já conhecidas no controle de infecções: higiene rigorosa das mãos com água e sabão ou álcool em gel, limpeza adequada de ambientes hospitalares, uso de equipamentos descartáveis e identificação precoce de pacientes infectados ou colonizados.

Apesar do número ainda limitado de casos em Portugal, especialistas alertam que a experiência de outros países mostra que o avanço pode ser rápido sem vigilância adequada. Entre 2013 e 2023, mais de 4 mil casos foram registrados nos países da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu, com um salto significativo em 2023, quando 1.346 infecções foram notificadas em 18 países.

Autoridades de saúde reforçam que o Candida auris não deve gerar pânico na população em geral, mas exige atenção redobrada nos serviços de saúde. A combinação de resistência a medicamentos, dificuldade de diagnóstico e capacidade de sobreviver no ambiente hospitalar faz do fungo uma das maiores preocupações emergentes no controle de infecções em hospitais na Europa e no mundo.

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