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Encontro de candidatas negras do Nordeste debate projeto político contra o racismo



Foto: Taylinne Barret/DP Foto

"Quem entrar, tem por tarefa levar outras". Essas foram as palavras proferidas por uma das coordenadoras do movimento "Eu Voto em Negra" Mônica Oliveira, durante o "Encontro de Mulheres Negras do Nordeste - Enegrecendo o Parlamento", que ocorreu, nesta sexta-feira, no auditório da Faculdade de Ciências Esuda, Centro do Recife. Reunindo 36 das mais de 50 candidaturas assessoradas pelo projeto no Nordeste, o encontro debateu a importância da representatividade de mulheres negras não apenas como um fator quantitativo, mas também como meio para efetivação de políticas de combate ao racismo. O evento é uma iniciativa da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e a Casa da Mulher do Nordeste, através do Projeto Mulheres Negras Rumo aos Espaços de Poder.


Em um auditório lotado por candidaturas de mulheres negras, movimentos sociais e apoiadoras/es, vozes se misturavam entoando uma mesma reivindicação: enegrecer o cenário político com candidaturas de mulheres antirracistas. Apesar de corresponderem a 28% da população brasileira, mulheres negras permanecem sub-representadas nesses espaços de poder. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, em 2020 essas mulheres eram apenas 2% do Congresso Nacional, realidade que o projeto “Eu Voto em Negra” – que atua desde as eleições municipais de 2020 - busca erradicar.


“A ideia é fortalecer candidaturas de mulheres negras cis e trans para a gente ampliar nossa presença no Parlamento e no Executivo”, explica Mônica Oliveira. “Na nossa compreensão, esse estágio está sendo especialmente de fortalecer a presença no Legislativo como uma etapa para chegar também no Executivo”, completa. Treinamento de mídia training, serviços de comunicação, formação política e técnica são alguns dos trabalhos oferecidos pelo “Eu Voto em Negra” às mulheres assessoradas com o intuito de potencializar essas candidaturas em um ano eleitoral “mais complexo” que 2020, como avalia Mônica.


“Nós estamos chegando ao quarto ano do governo Bolsonaro, então houve um recrudescimento das várias formas de violências, como o racismo, a misoginia, a LGBTfobia”, destaca. “Todo esse conjunto de violências que atinge as mulheres, a população negra especialmente”.


Candidatas


Buscando contornar esse cenário, diversas mulheres negras dos nove estados nordestinos comprometidas com a luta antirracista lançaram candidaturas que disputam vagas nos espaços Legislativos e Executivos. Integrando a mandata coletiva Pretas pela Bahia, a candidata à deputada estadual Márcia Ministra (Psol), que também disputou o cargo de vereadora nas eleições municipais de 2020 por Salvador, diz reconhecer as dificuldades para adentrar espaços que, comumente, são negados a mulheres como ela, mas, mesmo não tendo vencido a disputa naquele ano, reitera a importância de não desistir. “Não podemos abandonar as lutas, estamos dando o recado de que estamos prontas pra ocupar esses cargos”, asseverou.


Partilhando do mesmo posicionamento, Cricielle (PT) candidata à deputada estadual pelo Maranhão classifica o encontro como “um momento muito simbólico” e de trocas de experiências em busca de fortalecimento. “É muita felicidade e um momento muito simbólico reunir tantas candidaturas de mulheres negras em um período de tantos retrocessos no país, viemos para reafirmar a nossa luta”, expressa.


Candidata à deputada federal por Pernambuco Robeyonce Lima (Psol) - que integra a primeira mandata coletiva (Juntas Codeputadas) eleita na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nas eleições de 2018 – diz que é preciso ampliar as conquistas e aquilombar a política nacional, tendo em vista o avanço do conservadorismo no país. “Precisamos cada vez mais de mulheres na política enegrecendo esses espaços trazendo nossas pautas em relação à gênero e raça”, comenta. “Precisamos mudar essa história, a gente vai ter uma bancada travesti, negra na Câmara Federal depois de 200 anos da independência do Brasil. Isso é reparação histórica”.

Carta compromisso


Durante o encontro, foi apresentado o projeto político reivindicado pelas mulheres presentes com a assinatura de uma carta intitulada “Mulheres Negras do Nordeste Enegrecendo o Parlamento”, composta por 13 compromissos, lida por Mônica Oliveira. Trazendo dados sobre os pequenos avanços da representatividade na política institucional, o documento destaca pontos que precisam ser atendidos e trabalhados.



Foto: Taylinne Barret/DP Foto



“Queremos uma democracia que não se resuma ao voto a cada dois anos. Queremos uma democracia que não seja apenas o direito de falar, mas também o direito de ser escutado e construir conjuntamente os rumos do país”, explana trecho da carta.


Dentre os compromissos, reconhecer o legado histórico da população negra, colocar os espaços políticos a serviço das lutas contra o racismo, fortalecer alianças com organizações antirracistas e ter como base o princípio da coletividade foram algumas das pautas apresentadas.
Por: Elizabeth Souza

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