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Guerra: Exército russo faz ataques próximos às fronteiras da Otan


Oksana Urban, 44 anos, deputada do Conselho Distrital de Lutsk (oeste), acordou às 5h45 (0h45 em Brasília) de ontem com o som das explosões, as primeiras a atingirem a cidade localizada a apenas 80km da fronteira com a Polônia. "As vidraças da casa dos meus pais explodiram. De lá, eles puderam ver fogo e fumaça. Foi algo muito assustador. Percebi que a cidade onde nasci estava sendo bombardeada", contou ao Correio a também professora da Universidade Técnica Nacional de Lutsk (LNTU). "Dois guardas do aeroporto militar foram mortos. Um deles era pai de uma menina de três anos. O nosso medo vai desaparecer, mas o ódio continuará."


Pela primeira vez, as fronteiras com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE) estão sob ameaça. Além de Lutsk, as cidades de Dnipro (centro-leste) e de Ivano-Franksvisk, a 153km da Romênia, foram atacadas.

Apesar de citar avanços nas negociações entre Moscou e Kiev, o presidente russo, Vladimir Putin, ampliou a campanha militar e convocou 16 mil mercenários do Oriente Médio a combaterem ao lado de suas tropas na Ucrânia. "Há certas mudanças positivas, os negociadores do nosso lado me dizem. Eu vou falar sobre tudo isso mais tarde", comentou. Mas a paz parece distante para muitos ucranianos.

A professora Olena Zolotariova, 44, tinha deixado Mariupol (sul) com os pais, em 24 de fevereiro, para um passeio até Dnipro. "Houve um ataque com foguetes a uma fábrica de calçados, pela manhã. Não há infraestrutura militar nas imediações. Apenas um jardim de infância", contou Olena ao Correio. "Acho que foi um ato de intimidação, uma mensagem de que não existe lugar seguro na Ucrânia."

Enquanto viajava pelo oeste do território ucraniano, a ativista Diana Berg, 42, conversou com a reportagem. "No momento, não vejo bombardeios. Eu e meu marido conseguimos fugir, por milagre, de Mariupol, na última quarta-feira. Era uma missão suicida, mas furamos o cerco russo. Ficar em Mariupol era viver o inferno. Estávamos isolados, sem internet e sem comunicação com o mundo externo", relatou. O número de refugiados ultrapassou 2,5 milhões. A título de comparação, é como se 81% dos moradores do Distrito Federal tivessem abandonado suas casas rumo a outra unidade da federação. Imagens de satélite mostram os preparativos da artilharia russa para uma eventual tomada da capital da Ucrânia, Kiev.


"O objetivo de Putin é atingir as regiões ocidentais da Ucrânia, poupadas até agora. Isso mostra um desespero crescente. A operação militar não saiu como Moscou previa e, por isso, ele aumenta suas apostas", explicou ao Correio Peter Zalmayev, diretor da Iniciativa pela Democracia na Eurásia, em Kiev. "A Rússia quer forçar um êxodo em massa de civis rumo à Polônia, o que pode aumentar a crise humanitária. A intenção é que os europeus forcem os ucranianos a negociarem", acrescentou.
 
Perigo
Zalmayev admite o risco de um erro de cálculo, por parte dos russos, ao envolver a Otan no conflito. "Mas acho que Putin não deseja colocar-se contra a aliança militar, pois a Rússia seria completamente destruída. É uma tática de intimidação do Kremlin para forçar a rendição ucraniana", disse.

Segundo o especialista, se Putin perceber que não existe caminho aberto para a vitória, Moscou poderá atacar a Moldávia, a fim de abrir um corredor entre a Rússia e Kalininigrado, um exclave russo separado pela Polônia. "Os países da Otan estão cientes desse cenário. O artigo 5º da Aliança trata da segurança coletiva e obrigaria outros membros a atacar a Rússia", advertiu Zalmayev.


Para Oksana, Putin é "louco". "Ele não entende que está começando a Terceira Guerra Mundial. Se ele iniciar um conflito com a Otan, deflagrará uma guerra mundial", alertou a deputada e acadêmica. "Não quero pensar nem falar sobre essa possibilidade. Mas entendo que o ataque a um país-membro da Otan seria o início de uma guerra entre Otan e Rússia. Nunca houve uma agressão a uma nação da aliança militar desde 1º de abril de 1949."

A Casa Branca vê "fortes indicações" de que as forças de Putin cometem crimes de guerra na Ucrânia. "Temos visto imagens devastadoras vindo da Ucrânia, e estamos horrorizados com as táticas brutais da Rússia. Grávidas em macas, apartamentos residenciais bombardeados, famílias mortas enquanto buscavam segurança dessa violência terrível. Também vemos relatos de outros tipos de abusos em potencial, incluindo violência sexual e de gênero", declarou Andrew Bates, porta-voz do governo de Joe Biden. Por sua vez, Moscou, sem mostrar provas, acusa Kiev de produzir armas biológicas, com apoio de Washington.  
 
"É o inferno"
 (Foto: Arquivo pessoal)
Foto: Arquivo pessoal
 
 
Diana Berg
"A situação em Mariupol é muito próxima à do inferno. Os civis realmente enfrentam condições desesperadoras. Eles estão há cinco dias sem energia elétrica, desde que a central de fornecimento foi destruída em um bombardeio. Não há mais aquecimento nem água. Eles (russos) impuseram um bloqueio humanitário à cidade. As pessoas estão trancadas em casas escuras e geladas. Elas estão assustadas, pois os bombardeios ocorrem em qualquer lugar e a todo momento. Quadras residenciais, infraestrutura civil, hospitais, armazéns e estações de ônibus são bombardeados. É o inferno.

O grande problema são os bombardeios. O céu não é mais seguro. Nos três ou quatro primeiros dias, Mariupol era atacada pelo flanco leste. Agora, há foguetes e bombas caindo de todas as direções. As pessoas se acostumaram ao som das explosões. A parte mais assustadora é que as bombas são o único contato com o mundo externo. Não há como telefonar para ninguém nem usar a internet. É impossível para os moradores de Mariupol saberem sobre o que ocorre no mundo, na Ucrânia ou mesmo em outras áreas da cidade. Os bombardeios são massivos, brutais e aleatórios."

Ativista ucraniana, 42 anos, diretora da plataforma de artes Tu, moradora de Mariupol. Ontem, estava em fuga pelo oeste da Ucrânia


EUA e aliados ampliam pressão sobre Putin 
 (Foto: Getty Images via AFP)
Foto: Getty Images via AFP
 
 Mais do que uma conversa telefônica, foi um gesto de apoio irrestrito à Ucrânia e de oposição à Rússia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou, ontem, com o colega ucraniano, Volodymyr Zelensky. "Eu disse a ele que os EUA estão do lado do povo da Ucrânia e da sua coragem — enquanto lutam bravamente para defender o seu país. Enquanto (o líder russo Vladimir) Putin continua com o seu ataque impiedoso, os EUA e nossos parceiros continuamos a trabalhar para aumentar a pressão econômica e isolar ainda mais a Rússia no cenário global", declarou o democrata.

Aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do G7 — Canadá, França, Itália, Alemanha, Japão e Reino Unido — e a União Europeia trabalham em conjunto para retirar da Rússia o status de nação favorecida nas relações comerciais. Com a medida, o governo russo não poderá obter as melhores condições possíveis nas negociações — tarifas reduzidas, poucos entraves comerciais e importações mais elevadas possíveis permitidas. Biden acrescentou que foram tomadas "medidas adicionais para proibir o comércio com setores importantes da economia russa, em particular produtos do mar, vodca e diamantes".

"Vamos continuar a pressionar Putin. O G7 buscará negar à Rússia a capacidade de contrair empréstimos de instituições multinacionais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial", prometeu o americano. "Putin é um agressor. É o agressor. E Putin deve pagar o preço."

Pouco depois, a secretária de Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, anunciou a proibição das exportações de artigos de luxo a Rússia e Belarus para evitar que "Putin e seus amigos continuem vivendo na opulência enquanto causam enorme sofrimento em todo o Leste Europeu". Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, fez um anúncio na mesma linha: "Proibiremos exportar qualquer tipo de bem de luxo de nossos países à Rússia como um golpe direto às elites russas".

Desde o início do conflito, em 24 de fevereiro, os EUA aplicaram uma série de sanções financeiras à Rússia e anunciaram a suspensão da compra de petróleo e gás russo. Peter Zalmayev, diretor da Iniciativa pela Democracia na Eurásia (em Kiev), avaliou a retirada da Rússia do status de nação favorecida como um desdobramento positivo, mas não como uma medida instrumental capaz de forçar Putin a retroceder. "Nenhuma medida econômica terá o impacto, ao menos a curto prazo, enquanto a China apoiar a Rússia. A única maneira de deter Putin é militarmente", explicou ao Correio. Para ele, Biden deveria aceitar a oferta da Polônia de enviar caças MiG-29 à Ucrânia, para que seja capaz de defender o espaço aéreo.

Bloqueio ao Instagram

A Rússia restringiu o acesso à rede social Instagram, a qual acusa de espalhar apelos à violência contra os russos, devido ao conflito na Ucrânia. O poderoso Comitê de Investigação da Rússia já havia anunciado ações legais contra a Meta, empresa matriz do Facebook e Instagram, por terem flexibilizado as regras sobre mensagens violentas destinadas ao exército e a autoridades russas. O comitê afirmou que iniciou suas investigações "devido a pedidos ilegais de assassinato de russos por colaboradores da sociedade americana Meta". A Procuradoria-Geral russa pediu que a gigante da internet seja classificada como uma organização "extremista" e que o acesso ao Instagram seja bloqueado no país. O Facebook não pode mais ser acessado desde o dia 4. 

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