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Preconceito: Aluna trans é agredida após se revoltar por ser chamada por pronome masculino

 

Um desrespeito à identidade de gênero de uma aluna transsexual, de 16 anos, em uma escola de Mogi das Cruzes (SP) causou uma briga generalizada entre os alunos na quarta-feira (9). Pais e estudantes afirmaram que a confusão ocorreu após a aluna trans ter se irritado por ter sido chamada por um pronome masculino e começar a chutar as carteiras da sala de aula em que estava. Uma das mobílias atingiu outra aluna mais nova e o irmão dela agrediu a menina trans com vários socos na cabeça. A partir desse momento, outros alunos se envolveram e brigaram entre si.

As informações são do Diário TV, telejornal do município, que procurou a direção da Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco após um vídeo que registrou as cenas viralizarem nas redes sociais. A instituição de ensino confirmou o ocorrido, mas disse que a situação logo foi apaziguada.
No entanto, não foi informado a motivação da briga. Foram pais e alunos que conversaram com a equipe do Diário TV que relataram a motivação do embate. Além disso, eles afirmaram que a ocorrência de brigas na escola tem sido cada vez mais alta, desde que a escola se tornou de período integral.

Nas filmagens, é possível ver que não há uma forte presença de funcionários no meio da confusão. A aluna trans, por exemplo, foi atingida por vários socos no corredor da escola e é possível perceber a ausência de funcionários no local para apartar a briga. No registro em vídeo, é possível ver que a menina fica tonta e parece que está prestes a desmaiar. Veja o vídeo do momento, disponibilizado pelo portal Notícias Mogi das Cruzes:

Ao G1, a menina trans afirmou que não quer voltar nunca mais para a escola. “Estou com uma raiva imensa deles. Uma raiva muito grande, com ódio, sangue no olho. Quero justiça”, declarou a jovem. Ela esteve, na manhã desta quinta-feira (10/2), com a mãe no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes para registrar um boletim de ocorrência sobre a agressão

Para amparar a aluna, o Fórum Mogiano LGBT acompanha o caso e tenta contato com a família dela. A vice-presidente do Fórum, Alexandra Braga, repudiou a violência e o episódio transfóbico. “É por isso e por tantas outras coisas que nós do fórum buscamos sempre o direito ao estudo, à dignidade, à vida e ao trabalho. Continuaremos lutando. Não a violência exacerbada em que vivemos nessa sociedade transfóbica”, declarou.
Pais afirmam que, em seis dias de aula, escola foi palco de três brigas.

O grupo de responsáveis pelos alunos e os próprios estudantes relataram que essa é a terceira briga ocorrida na escola em apenas seis dias de aula. Mães e pais afirmam que sentem medo de deixarem os filhos irem para a instituição de ensino.

“Aqui é o apelo de uma avó desesperada. A escola em que minha neta estuda é uma briga constante. É um absurdo, eu estou com medo”, disse uma mulher de forma anônima à equipe de reportagem.

Não é para menos, de acordo com os alunos, há um clima de tensão na escola, em que o desrespeito mútuo e contra a diretoria prevalece. Amanda Rosa, mãe de duas alunas, uma de 11 anos e outra de 9 anos, diz que as filhas não querem mais ir para as aulas.

“Elas têm medo de serem agredidas. Contaram que os professores não têm autoridade e nem a diretora os alunos respeitam. Mas como culpa os professores? Não deveria estar todas as turmas juntas no intervalo. Deveria ter organização”, declara a mãe. “Vou perder um dia de trabalho para arrumar uma transferência para elas. Minha filha tem excelentes notas, não quero que decaia.”

Emocionada, Floriza Alves diz que não tem paz enquanto a filha está no colégio. “Eu tenho muito medo de mandar minha filha pra escola, mas atualmente não tem o que fazer. Eu a levo e a busco, justamente por medo. Mas enquanto ela está na escola, no recreio? No intervalo as brigas são constantes, ontem mesmo teve outra”, compartilhou Floriza.

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo repudiou o episódio e informou que acionou a Ronda Escolar e a equipe do Conviva, programa de convivência e segurança do órgão, para orientar os profissionais da instituição sobre quais medidas tomar para que casos como esses não ocorram mais.

“A partir daqui, a diretoria de ensino junto com a secretaria vão abrir um processo de apuração preliminar para entender quais foram os envolvidos e tomar as medidas cabíveis especialmente para que isso não volte a acontecer”, declarou Henrique Pimentel, chefe de gabinete da SEE-SP.

DP

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