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por Notícias ao Minuto
Política
Família Bolsonaro
Oex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou muito aborrecido com a derrota do filho, Flávio Bolsonaro (PL), para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Segundo informações da jornalista Bela Megale, de O Globo, Bolsonaro demonstrou surpresa com a virada eleitoral e agora teme que o filho seja preso.
A reação foi relatada por Flávio a aliados após uma conversa com o pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
De acordo com pessoas próximas ao ex-presidente ouvidas pela colunista, Jair Bolsonaro ficou "surpreso" com o resultado das urnas e demonstrou preocupação com os desdobramentos judiciais envolvendo o senador.
O principal temor é a possibilidade de Flávio Bolsonaro ser preso em decorrência das investigações que tramitam contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF).
A preocupação aumentou depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou, na segunda-feira (26), que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e ficasse proibido de deixar o país.
Por que Jair Bolsonaro teme a prisão de Flávio?
Flávio Bolsonaro é investigado em pelo menos dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, seu amigo e empresário ligado ao setor de apostas esportivas.
A investigação busca esclarecer possíveis movimentações financeiras irregulares e a participação do parlamentar em negócios relacionados a empresas de apostas.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a Polícia Federal apura se Flávio teria sido beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e também investigada pelas autoridades.
Na semana passada, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios envolvendo plataformas de apostas.
A outra investigação envolvendo Flávio diz respeito a suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, e a possíveis repasses envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O senador e as defesas dos demais investigados negam irregularidades.
Moraes determina entrega de passaportes e proíbe Flávio de deixar o Brasil
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes comum e diplomático, conforme determinação de Alexandre de Moraes.
A decisão, tomada no âmbito da investigação envolvendo Willer Tomaz, também proíbe o senador de sair do Brasil e de manter contato com o advogado.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio relatou como ocorreu a intimação.
"Hoje de manhã, eu fui visitar meu pai. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", afirmou.
Segundo o parlamentar, a decisão teria sido motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e havia sugerido que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição.
O senador afirmou que nunca manifestou intenção de fugir do país e questionou o momento em que a medida foi determinada.
"Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do resultado da eleição. Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa?", declarou.
Flávio disse que cumpriria a ordem judicial, mas contestaria a decisão na Justiça.
A entrega dos passaportes e a proibição de deixar o país são medidas cautelares e não representam, por si só, uma ordem de prisão.
Flávio Bolsonaro discute próximos passos com advogados
Segundo Bela Megale, Flávio Bolsonaro passou a segunda-feira reunido com integrantes da equipe jurídica de sua campanha para avaliar quais medidas adotar depois da derrota presidencial.
A primeira decisão foi abandonar a possibilidade de uma contestação direta do resultado das eleições, embora o grupo tenha decidido avaliar outras medidas judiciais contra a chapa vencedora.
Entre as possibilidades discutidas está a apresentação de um pedido de cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com base em uma alegação de abuso de poder econômico.
A iniciativa é diferente de solicitar diretamente a anulação de toda a votação presidencial.
Ainda segundo a colunista, a possibilidade de prisão passou a integrar as preocupações da equipe do senador, e seus próximos passos estão sendo analisados em conjunto com os advogados.
Lula venceu o segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), revertendo a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno e garantindo seu quarto mandato como presidente da República.



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