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Libertado, líder dos bombeiros debocha da postura do governador do Rio de Janeiro.

“Quero que o Sérgio Cabral nos ensine a viver com R$ 950”, diz Benevenuto Daciolo
Marcos de Paula/Agência Estado

Libertados na noite desta sexta-feira (10), os líderes dos bombeiros presos no último sábado (4) após a invasão ao Quartel Central da corporação fizeram algumas reivindicações para voltar a negociar com o governo do Estado do Rio de Janeiro. Falando pela categoria, os oficiais querem anistia administrativa e criminal antes de retomar as negociações com o governador Sérgio Cabral.
Segundo um dos líderes do movimento, Benevenuto Daciolo, o pedido de anistia vale para os nove bombeiros libertados nesta sexta no GEP (Grupamento Especial Prisional), em São Cristovão, zona norte da cidade, e também para os demais 430 que ainda estão presos no quartel de Charitas, em Niterói, região metropolitana do Rio.
- Só voltamos a negociar depois da libertação e anistia aos 439 bombeiros. Queremos anistia administrativa, o que depende de uma votação que deve estar na pauta da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) na semana que vem, e a anistia criminal, que depende do Congresso Nacional.
Ciente de que muitas dificuldades serão enfrentadas pelo movimento dos bombeiros do Rio, Daciolo aproveitou a breve entrevista concedida aos jornalistas para agradecer à população que vem dando demonstrações de apoio ao movimento da corporação.
- Primeiramente quero agradecer ao povo do Rio pelo apoio. Quero que eles saibam que nós temos orgulho de sermos cariocas.
Na mesma entrevista, o líder do grupo libertado ainda debochou da atual postura do governo estadual.
- Se eles não quiserem dar aumento, eles não dão. Mas quero que o governador nos ensine a viver com R$ 950 líquidos por mês. Eu, por exemplo, tenho três filhos e quero que o governador me explique como posso dar uma boa educação e uma boa saúde para eles.
Demais bombeiros presos podem sair até as 9h deste sábado
A madrugada foi de tranquilidade em Charitas. Oficiais, familiares e outros apoiadores do movimento passaram a madrugada deste sábado (11) alojados nas imediações do quartel onde continuam presos outros 430 bombeiros. Oficiais de Justiça chegaram com vários mandados de soltura durante a madrugada, e a expectativa é que todos os detidos sejam liberados às 9h. A informação, porém, não foi confirmada pela polícia.
Soltura dos líderes é cercada de emoção

Após a decisão judicial, a Polinter analisava, por volta das 23h desta sexta, os nomes de todos os bombeiros liberados para checar se há mandados de prisão contra eles. O procedimento é praxe em casos de soltura de presos beneficiados por decisões judiciais.
Por volta das 23h, os bombeiros detidos em Charitas se preparavam para passar a noite no quartel. Em razão do volume de alvarás de soltura, houve atraso na liberação dos bombeiros. Os líderes do movimento soltos no Rio chegaram em Charitas por volta das 23h40 e foram recebidos pelos companheiros sob aplausos e muita emoção.

Um dos líderes do movimento, capitão Lauro Botto, disse que o grupo quer permanecer unido.
- A gente começou junto e vamos juntos até o fim.
Entenda o caso
Por volta das 20h da última sexta-feira (3), cerca de 2.000 bombeiros - muitos acompanhados de mulheres e crianças - ocuparam o Quartel Central da corporação, no centro do Rio de Janeiro. O protesto, que havia começado no início da tarde em frente à Alerj (Assembleia Legislativa), durou toda a madrugada.
A principal reivindicação da categoria é aumento salarial de R$ 950 para R$ 2.000 e vale-transporte. A causa já motivou dezenas de paralisações e manifestações desde o início de abril. Seis líderes dos movimentos chegaram a ser presos administrativamente em maio, mas foram liberados.

Diante do clima de tensão no Quartel Central, repetidos apelos feitos pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, para que os manifestantes retornassem às suas casas foram ignorados e bombeiros chegaram a impedir que colegas trabalhassem diante dos chamados de emergência. A PM, então, com auxílio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), invadiu o complexo às 6h de sábado (4). Houve disparos de arma de fogo, acionamento de bombas de efeito moral e confrontos rapidamente controlados. Algumas mulheres e crianças ficaram levemente feridas e foram atendidas em postos no local.
Os bombeiros foram levados presos para o Batalhão de Choque, que fica nas proximidades. De lá, 439 foram transferidos de ônibus para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Estado, onde passaram a madrugada de domingo (5). Durante a manhã, eles foram novamente transferidos, desta vez para o quartel de Charitas, em Niterói, também na região metropolitana.
Visivelmente irritado com o "total descontrole", o governador Sérgio Cabral anunciou no sábado, após reuniãode cerca de cinco horas com a cúpula do governo, a exoneração do então comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado. O cargo passou a ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões, que era subsecretário de Defesa Civil da capital fluminense.
Cabral disse que não negocia com "vândalos" e "irresponsáveis", alegou que os protestos têm motivação política e se defendeu dizendo que o governo tem planos de recuperação salarial para todos os militares desde 2007.
Pressionado por dezenas de protestos e diante da grande repercussão do caso, na quinta-feira (9), o governador anunciou aumento de 5,58 % nos salários de bombeiros, policiais militares, policiais civis e agentes penitenciários. Para isso será antecipado de dezembro para julho os reajustes que já eram previstos. Ele ainda anunciou a criação da Secretaria de Estado de Defesa Civil e nomeou o comandante Simões como titular da pasta.
Na sexta-feira (10), um pedido de liberdade feito pelos deputados federais Alessandro Molon (PT-RJ), Protógenes Queiroz (PC do B-SP) e Doutor Aluizio (PV-RJ) foi aceito pelo desembargador Claudio Brandão de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio. Os 439 bombeiros responderão em liberdade após serem autuados em quatro artigos do Código Penal Militar: motim, dano em viatura, dano às instalações e por impedir e dificultar a saída para socorro e salvamento. A pena para estes crimes varia de dois a dez anos de prisão.
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