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Empregada doméstica flagrada maltrando bebê de seis meses.

Uma câmera escondida registrou os maus tratos de uma empregada doméstica contra um bebê de seis meses. A denúncia foi registrada anteontem na Unidade de Repressão aos Crimes Cometidos Contra Crianças e Adolescentes (Unipreca) da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), pelos pais da criança. O vídeo de aproximadamente 20 minutos mostra quando a doméstica, uma mulher de 29 anos, coloca o bebê de cabeça para baixo e o rodopia rapidamente.

A atitude foi qualificada pela autora como uma “brincadeira” e aconteceu duas vezes em cerca de 20 minutos. A filmagem também mostra quando a empregada doméstica beija rapidamente o menino, aparentemente na boca. O bebê parece assustado com os movimentos bruscos e chega a ficar vermelho durante as “brincadeiras”.

A mãe do bebê contou que a câmera foi colocada na sala da casa onde mora com o marido e a outra filha, de 3 anos, no bairro da Iputinga, Recife, no momento em que foi levar a filha mais velha para a escola, por volta das 14h da última segunda-feira. “Decidimos colocar a câmera porque há uns dez dias o meu filho apareceu com um ‘galo’ na cabeça. Alguns vizinhos também me disseram que quando eu saía, ele chorava muito. Era um choro estranho e comigo era difícil ele chorar tanto”, disse.

Segundo ela, seus filhos não costumam ficar sozinhos com a empregada doméstica, que trabalhava na casa desde março deste ano. “Não trabalho porque cuido deles. Antes, quando me ausentava um instante, a deixava com o meu bebê na casa da minha sogra, até que eu voltasse. Mas o tempo foi passando, ela foi adquirindo minha confiança, principalmente porque também tem dois filhos pequenos”, disse.

A mãe contou ainda que só assistiu as imagens quando terminou o expediente da empregada. “Fiquei chocada com as cenas. O neurologista falou que o meu filho poderia ter ficado com problemas neurológicos, porque ele é muito novinho e os ossos do crânio ainda não estão completamente formados”, disse.

De acordo com o delegado Geraldo Silva, responsável pelo caso, a doméstica responde a inquérito por maus tratos, mas não foi presa porque não houve flagrante. Uma análise do Instituto de Criminalística (IC) deve avaliar se o beijo que ela dá no bebê foi no rosto ou na boca. “Se ficar constatado que o beijo foi na boca ela também pode ser indiciada por um crime de conotação sexual”, destacou o delegado.

O pai do menino, um representante comercial de 41 anos, prestou depoimento ontem na GPCA, assim como a doméstica. “Ela chegou com o marido, chorou e negou os maus tratos. O marido dela também disse que ela garantiu que estava brincando com o menino, mas tomou um susto quando viu as imagens”, observou o delegado.

Serviço
Os personagens desta matéria não podem ser identificados em respeito ao Estatuto da Criança e do Ado­lescente (ECA) que recomenda a preservação da identidade da vítima e respectivos familiares.
Por Priscilla Aguiar e Mirthyani Bezerra, da Folha de Pernambuco 
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