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Violência:Tragédias e violência deixaram marcas em escolas brasileiras.

Escola pública de Realengo, no Rio de Janeiro; escolas municipais Karla Patrícia e Poeta Manoel Bandeira, ambas no Recife; e mais recentemente a Escola Municipal José do Rego Maciel (Caic), em Palmares, Zona da Mata Sul de Pernambuco. O que existe em comum entre esses estabelecimentos de ensino público? Deveria ser a propagação do conhecimento. Mas, ao contrário do que pareçam, esses três estabelecimentos são alguns dos cenários trágicos em que a violência passou e deixou marcas. As marcas da agressão para uns, as marcas do final da vida para outros.

O que deveria ser um espaço para se cultivar a amizade e o companheirismo em prol do conhecimento, a cada dia se consolida como um espaço de violência. Violência que exala tanto de dentro para fora (entre os próprios estudantes) quanto de fora para dentro (invasões às escolas). Em Realengo, na “Cidade Maravilhosa” várias foram as crianças e adolescentes vítimas de um atentado praticado pelo jovem Wellington Menezes de Oliveira, 23. Na oportunidade, 12 crianças morreram após o rapaz ter entrado numa escola pública e atirado contra os jovens inocentes.

Na Capital Pernambucana, as escolas municipais Karla Patrícia, em Boa Viagem, e a Poeta Manoel Bandeira, na Ilha do Leite, os indícios da violência foram sentidos por uma aluna e um professor, respectivamente. A estudante foi agredida a pauladas por dez amigos da escola porque não quis comer a merenda da escola; e o professor, porque reprovou um aluno.
Segundo a mãe da jovem agredida, após o ocorrido, o medo persiste. “Isso que aconteceu com a minha filha só faz deixar nós, pais, mais preocupados e com medo de deixá-los na escola. Assim como eles (estudantes) ficam com medo, principalmente, aqueles estudantes que vão para estudar, de fato”, destacou a mãe da jovem agredida, que mudou de escola.

Já em Palmares, na última segunda-feira (23), um incidente deixou pais e alunos chocados. Um estudante de apenas 17 anos foi morto a tiros no pátio da escola. O crime ocorrido na área interna da escola só veio a corroborar com o medo, a insegurança e os questionamentos em torno da precariedade da segurança desses estabelecimentos.

Em meio a todas essas tragédias, uma pergunta. O que motiva esses incidentes? Segundo a psicopedagoga Leila Saeger de Mello Costa, alguns fatores podem estar associados aos acontecimentos. “A perda dos valores cristãos, o individualismo, a falta de segurança nas escolas e a ausência da família contribui para a violência. As pessoas por viverem numa sociedade individualista, do ‘ter’ valer mais do que ‘ser’, estão deixando de lado valores como: amor ao próximo, coletividade, entre outros. Além disso, existem escolas que não oferecem segurança mínima para os alunos, e isso é ruim. Qualquer coisa que atinja o emocional dos estudantes interfere no aprendizado. A participação da família também é imprescindível. Temos muitos casos de pais que delegam suas atribuições a outras pessoas”.

Ainda de acordo com Leila, esses valores perdidos precisam ser trabalhados antes de maiores problemas. “Sempre é bom trabalhar a questão dos valores, assim como o individualismo e o hedonismo, que é o prazer de todo jeito. Se isso não for trabalhado, ‘lá na frente’ podem acontecer coisas piores, como as tragédias”, destacou a especialista, que já teve que mediar vários conflitos ao longo dos seus mais de 20 anos atuando na área.
Da Folha de Pernambuco
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